A arma ficou. O tiro ouviu-se ao longe. Naquele momento toda a cidade parecia um labirinto. Correr já não era problema. Tinha que sair dali. Não queria ter feito o que fiz. O que fiz devia ter sido feito, mas não por mim.
Eu por amor sou capaz de muito. Nunca me tinha apercebido disso. Hoje sei do que sou capaz. Matar.
Encostado agora a uma parede molhada, sinto os suores frios de quem acaba de sentir na pele a melhor sensação do mundo. A sensação de alívio. Está feito. Já se ouvem ao longe as sirenes ensurdecedoras. Eu sabia que tudo tinha sido bem planeado. Não iriam existir vestígios.
Deixo-me escorregar e acabo sentado no chão com os olhos fixos na única luz acesa naquela rua. É um beco sem saída. Começo a pensar no próximo passo. A próxima etapa. Esquecer. Essa terá de ser a primeira coisa a ser feita. Mas por um lado não quero. Sei bem o que fiz.
Esqueço-me de tudo sempre tão facilmente. Uma morte, ou melhor, um assassinato nunca pode ser esquecido, apenas não deverá ser relembrado.
Levanto-me e ganho novas forças. Limpo as mãos nas calças e prossigo caminho, de capuz enfiado na cabeça e mãos nos bolsos. Agora tudo muda. Agora tudo será diferente. Apenas tenho de seguir em frente. O medo que senti, continuou encostado na parede fria e molhada. Já não sinto medo. Sinto-me bem.
Agora... Agora vem o nível seguinte!
LS
Bang Bang... My Baby Shot Me Down*
Estás num beco sem saída. Estás entre a espada e a parede. Ou matas ou morres. Ou vives ou deixas viver. Tens a arma na mão. O resto, sabes bem como fazer. Sentes o gatilho no dedo a queimar. Sentes a pena. E se não apertares o gatilho? E se apertares? Deixas viver aquilo que te parou o coração durante tanto tempo? Ou matas o que ainda mói? Sabes que é agora ou nunca. Sabes que tudo depende de um gesto. Queres matar. Queres deixar viver. Mil pensamentos num só. Aperta o gatilho. Não apertes. Ganha coragem. Ou deixa tudo como está. Estás num beco sem saída. Estás entre a espada e a parede. Ou matas ou morres.
Matas.
No chão fica o que viveu dentro de ti. O que viveu. Passado.
Faz viver o Futuro. E abandona a arma num canto.
CJ*
CJ*
Sonhos Vazios de Tudo
Nada nem ninguém para o sonho. O sonho comanda a vida. Somos todos sonhadores. Um dia de cada vez. Cabeça erguida! Para a frente é que é caminho.
Para trás deixamos um todo que será sempre um nada, impossível de voltar a alcançar e impossível de ser vivido de outra forma.
Nessa distância estão os sonhos que todos tivemos. Uns realizados. Outros, nem por isso. Mas pergunto-me se vale a pena sonhar na mesma?
Vale sempre a pena! Sonhar é viver. O que seriamos nós sem sonhos!?
Nada. Estaríamos repletos de vazio.
Um vazio que é tudo o que somos, o nada que fomos e o futuro incerto que seremos.
LS
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