A arma ficou. O tiro ouviu-se ao longe. Naquele momento toda a cidade parecia um labirinto. Correr já não era problema. Tinha que sair dali. Não queria ter feito o que fiz. O que fiz devia ter sido feito, mas não por mim.
Eu por amor sou capaz de muito. Nunca me tinha apercebido disso. Hoje sei do que sou capaz. Matar.
Encostado agora a uma parede molhada, sinto os suores frios de quem acaba de sentir na pele a melhor sensação do mundo. A sensação de alívio. Está feito. Já se ouvem ao longe as sirenes ensurdecedoras. Eu sabia que tudo tinha sido bem planeado. Não iriam existir vestígios.
Deixo-me escorregar e acabo sentado no chão com os olhos fixos na única luz acesa naquela rua. É um beco sem saída. Começo a pensar no próximo passo. A próxima etapa. Esquecer. Essa terá de ser a primeira coisa a ser feita. Mas por um lado não quero. Sei bem o que fiz.
Esqueço-me de tudo sempre tão facilmente. Uma morte, ou melhor, um assassinato nunca pode ser esquecido, apenas não deverá ser relembrado.
Levanto-me e ganho novas forças. Limpo as mãos nas calças e prossigo caminho, de capuz enfiado na cabeça e mãos nos bolsos. Agora tudo muda. Agora tudo será diferente. Apenas tenho de seguir em frente. O medo que senti, continuou encostado na parede fria e molhada. Já não sinto medo. Sinto-me bem.
Agora... Agora vem o nível seguinte!
LS


1 comentários:
Uau...não sei se deva comentar com humor..mas parecia aquilo do Mafia Wars!... o que posso dizer.. que às vezes esqueço q tenho chinelas..mas ainda as tenho calçadas... q nunca devemos desistir.. e que o amor não é fácil..mas que viver é sempre o mais importante! Por isso.. bola pra frente! Ass. Meireles
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